Ainda contando minhas inusitadas histórias:Um dia antes de prestar o concurso em Bagé,ainda em 2009, fui de ônibus. Tudo transcorria bem, aquele trajeto sendo cumprido lentamente numa agradável tarde de sábado de outubro, até que chegamos a uma cidadezinha próxima ao destino. Ao contrário das paradas anteriores, onde entrava e saía pouca gente , em Candiota entrou um número grande de pessoas, na maioria homens, de trajes de operário, falando alto. Pelo sotaque se notava serem de outro estado, nordeste ou sudeste talvez. Pelo assunto, dava para deduzir que trabalhavam em empreiteiras. Numa das poltronas, um médico, amigo de infância que eu não via há muito. Meu amigo tem um tamanho avantajado. Tanto, que não cabe num só assento do coletivo. Ele sentara numa poltrona do corredor, mas acabou ocupando mais da metade da outra. Até hoje os veículos ainda não dispõem de assentos especiais, causando um constrangimento a quem necessita se deslocar utilizando aquele tipo de transporte. A pessoa, queira ou não, acaba ocupando dois assentos. Pois foi aí que a coisa começou. Um cidadão, dos mais falantes, jovem adulto que embarcara nesta última parada, mesmo vendo que seria impossível caber ao lado do médico, pediu licença para sentar, ao que o passageiro sentado disse que não seria possível, pois não havia espaço para mais um naquele já limitado banco de ônibus. O mal educado começou a armar um barraco, com altos brados, falando para todos os demais passageiros que era um absurdo uma pessoa ocupar dois assentos. O sujeito, não contente com a confusão armada, expondo o outro passageiro a uma situação embaraçosa, foi chamar o fiscal e o cobrador do ônibus para resolver a situação. Exigindo que o cobrador vendesse uma segunda passagem do senhor cujo volume corporal extrapolava o assento. Assim foi feito, a segunda passagem foi vendida, com o consentimento do meu volumoso amigo, mas os demais passageiros se mostraram totalmente desacomodados, chateados com a situação. Ali pude constatar o choque de culturas e o que uma grande obra pode criar. São os efeitos colaterais, a exemplo que acontece em minha cidade natal e outras regiões do país onde se constróem mega projetos. Dizem alguns que é o ônus do progresso. Há que se administrado isso.
Chegando em Bagé, me ofereci para acompanhar o amigo até o hotel onde iria se hospedar, mas ele, agradecendo, dispensou, me tranquilizando pois estava esperando sua esposa para o levar de carro. Temi que os mal educados fossem também brigões e covardes. Mas vi que a arma deles era só a boca.
Mapa do Google em mãos, fui a pé até o hotel Cassino. Tudo tranquilo e em paz, finalmente...
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Primeira viagem no ônibus de linha
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