sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Uma soma de energias

Depois de um dia cansativo, desgastante e preocupante, resolvi fazer algo que pratico às vezes: Mudar de hábito. Tinha que ir no supermercado e optei por um diferente da minha rota. Não tinha nada de especial naquele estabelecimento, mas eu precisava de algo estimulante, talvez relaxante... e consegui.
Logo no primeiro corredor, um cliente me pergunta o significado da etiqueta, preços diferentes para atacado e varejo, e... rancho. Ele queria saber o que é rancho e eu expliquei, louco de faceiro por estar ajudando alguém. Começou bem a minha incursão pelo supermercado novo na minha rotina. Notei em seguida que os trabalhadores estavam animados, motivados, havia uma energia positiva no ar. Arrumações de prateleiras, deslocamento de mercadorias, filas na balança dos legumes, ou hortifruti como se chama modernamente.
E eu, distraído observando as posições dos produtos, quais marcas eu conhecia e quais eram novidade pra mim que nem notei a aproximação de um funcionário com uma bandeja de polenta frita, oferecendo aos clientes. Achei o máximo. Aquela polenta quentinha e crocante, hummm! E ainda milho que é a única farinha recomendada pelo médico pra não subir os triglicerídeos, tava tudo de bom a minha visita. Prometia. Eu notava que ia comprar mais do que planejara, tudo convergia para momentos agradáveis. Seguia meu passeio pela loja quando sou abordado novamente, desta vez por uma bonita e simpática moça com uma prancheta fazendo uma pesquisa sobre atendimento, impressões dos clientes e por aí afora. Como sou professor, fiquei respondendo e observando a forma de perguntar, as questões formuladas e acabei conversando gentilmente com a aluna de psicologia da URCAMP. Dei as informações com o máximo de fidelidade, colaborativo e torcendo pelo sucesso do empreendimento da minha interlocutora. No meio da entrevista, mais duas abordagens do moço da polenta, duas provinhas e eu estava pronto pro abate: comprei uma bandejinha de polenta frita e quentinha por 1,60. Os prazeres da vida ou são de graça ou são muito baratos, basta saber valorizá-los, pensei eu. Ao finalizar, a moça agradeceu e completou: - O senhor é muito simpático! Ganhei o dia, a semana, o mês, quiçá o ano todo com aquele gesto.
Cheguei a duas conclusões enquanto procurava disfarçar a minha cara de satisfação, com a boca nas orelhas, cheio de razão: Estou velho, portanto não represento perigo a uma menina de tenra idade. Ela tem certeza que eu encaro o elogio como ele foi concebido, sem segundas intenções. Outra: estou velho, a menina poderia ser minha filha e eu estava torcendo para que ela se desse bem no seu trabalho de faculdade, de empresa júnior. A relação é legítima, sincera e é apenas isso. Uma pessoa elogiando outra. Que bonito se gestos como esse fossem mais freqüentes. Custa tão pouco e dá um retorno tão grande. São momentos raros em que aproveitei e passei pro papel, pra que fique na lembrança e que meus amigos leiam também e compartilhem comigo. Faz bem fazer o bem.
Luís Fogaça

O garimpeiro moderno

Com a proximidade do verão se faz urgente tomar algumas providências como cortar grama da casa de praia, limpar e descartar objetos inservíveis. Foi o que fiz. Sacos grandes de lixo, tronco de bananeira e vasinhos com folhagens diversas ocuparam integralmente o porta malas do meu celtinha. Perguntei a outros moradores da redondeza onde eu poderia descartar aquele lixo e fui informado que há um lugar no Cassino especialmente projetado para este fim. -Que maravilha! -Pensei. Pois tanta gente, talvez por desconhecimento, joga lixo nos cômoros (ou combros, como muitos chamavam aquele montes de areia branca da beira da praia). Fui seguindo e perguntando, porque não é muito fácil chegar lá, a sinalização ainda deve estar sendo confeccionada.
Cheguei num imenso terreno com pilhas de material reciclável, um galpão que serve de sede para a associação e muitos avisos de proibido isso proibido aquilo. Fui indo e perguntando, cada um informando um trecho até que cheguei onde precisava chegar. Um lugar destinado a entulhos, restos de podas, galhos, móveis, utilidades e inutilidades diversas. Havia uma só pessoa no local, um senhor de chapéu à moda Indiana Jones, óculos bem escuros, botas, calças por dentro das botas e sua Bandeirante a Diesel ligada. Ele se aproximou e veio conversar comigo. Perguntou: -O que tem aí? E eu, assustado ainda com as placas de proibido isso proibido aquilo, disse-lhe que eram umas taquaras, restos de capim e plantas. O Suposto encarregado se aproximou mais um pouco e disse: - Que pena que estão com cupim, porque senão eu teria um destino pra elas. Pode colocar no terreno, junto dos outros galhos.
Neste momento me senti mais à vontade e agradeci, porque cheguei a pensar que era proibido colocar lixo no depósito de lixo, vai duvidar...
Comecei a descarregar meu carro tendo o cuidado de colocar junto com outros materiais semelhantes para manter a ordem que notei existir por ali. Enquanto trabalhava, conversei com o senhor que me recebeu e descobri que ele é um catador de coisas. Um verdadeiro cidadão politicamente correto, preocupado com a descartabilidade das coisas e disposto a fazer a parte dele na sociedade.
Tá vendo aqueles fios de telefone? Perguntou ele. Sim, havia rolos de fios de telefone provavelmente descartados por alguma instaladora. –Isto dá um belo varal de roupas. É forte, razoavelmente flexível e grosso o suficiente para que o prendedor firme a roupa. E de graça!
Tem razão o homem, que eu já comecei a admirar à medida que o conhecia. Essa câmara de ar- explicou ele- serve para eu fazer amarras para a carroceria da Toyota. Essas gavetas, eu levo para aproveitar os puxadores... E assim foi descrevendo tudo o que ele poderia fazer com cada tesouro que encontrava.
Que espetáculo! Vejo que essas atitudes são o futuro. As pessoas não precisam ter vergonha de pegar algo que alguém jogou fora. Estão, com gestos assim, ajudando o meio ambiente, o poder público, a sociedade em que vive. Então aplaudo o homem, me despeço enquanto ele fala sobre a atualidade, que as pessoas estão comprando coisas novas e jogando coisas boas no lixo e saio com a firme convicção que há esperança na humanidade. Contrariamente o que a mídia nos impõe nos noticiários, as pessoas pensam, agem e se preocupam com o futuro. Vale a pena lutar. Nossos filhos e netos e os filhos deles e seus netos merecem.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A cor da flor dos Jacarandás é lilás

A cor da flor dos jacarandás é lilás
Pode alguém achar que é outro tom
Em todo assunto alguém se apresenta com um dom, aliás
Mas poderia alguém dizer outra cor que não combine, não rime?
Que heresia, se assim o fizer
lilás rima com jacarandás
Como rosa flor rima com rosa cor
Cor de rosa rima em poesia e em prosa
Foi poupada na trágica mudança da língua
Cor-de-rosa, com hífen. A única cor que permaneceu com hífen, poderosa
Cor de rosa sem hífen é como a flor velha, se despetalando,
assim como ideia sem hífen não é tão brilhante.
Falta a faísca, a luz, os fogos de artifício que eram representados pelo acento agudo.
Como é que faísca faísca? Porque tem acento agudo, claro!
Ah, o que fazem com a língua. Discussões intermináveis em gabinetes, reuniões, viagens, dinheiros e nossa língua muda para satisfazer aos doutos. Quanta erudição. Quanta falta de sensibilidade. Quanta gente que precisa de letramento e nós debatendo os hífens, os tremas, os acentos... Falta de foco, de orientação, de direção. Arrumou-se algo? Salvou-se a língua? Duvido. Mas milhões de obras tornam-se desatualizadas a partir de agora. Está sobrando recursos pelo jeito.

As quatro pedras

Não sou adepto de animais soltos, apesar de ser um fã de bichos em geral. Já tive peixes, pássaros, cachorros, isso sem contar com experiências científicas da juventude através da criações de minhocas, e até coleções de aranhas vivas, que eu alimentava com moscas sempre fresquinhas para deleite dos meus animaizinhos. Mas desta vez a coisa foi diferente.
Tudo começou quando um cachorro passou a me ameaçar sempre que eu me aproximava de casa, de moto. E, obviamente, quando partia, era ainda pior. O animal, aos latidos, vinha de encontro ao pneu traseiro da minha titan 125 e a cada dia se aproximava mais de meu calcanhar. O ruído do animal era um aviso, pois assim, meus ouvidos estavam me preparando para o momento em que o som pararia e eu sentisse a inevitável mordida na parte posterior da perna esquerda. E sou canhoto pra completar a minha particular tragédia. Aquilo me incomodou por dias. Bastava eu tirar a moto de casa, que a latição começava. Dava catraca e o motor ligava, com o conseqüente aumento da freqüência do ameaçante assédio canino.
Estava insuportável pra mim. Mudar de casa? Dormir num hotel? Pedir ajuda? O que faria para resolver a situação? Conversei com colegas, vizinhos e todos tinham um conselho diferente. Aqui em Bagé as coisas se resolvem de pronto. E assim decidi. Vou pedir para recolherem o animal que, além do todo o desconforto que vinha me causando, ainda parecia doente, com uma pata suspensa ao caminhar, precisando ele também de ajuda. E assim foi. Liguei para alguns números que me recomendaram até que fui atendido por uma funcionária da área de saúde, ou de zoonoses, se não me engano. Ao me queixar do animal que me ameaçava, a resposta foi curta e grossa com uma nova pergunta:
- O cachorro já lhe mordeu? Perguntou a zelosa funcionária pública municipal.
- Não. Respondi-lhe.
-Mas acredito que amanhã morderá, porque cada vez ele chega mais perto.
-Então não podemos fazer nada, respondeu a agente pública. Em primeiro lugar não recolhemos animais de rua e, se for constatado algum dano a um cidadão, precisamos de um boletim de ocorrência para comprovar.
- Como? Surpreendi-me. –Então, vocês que tem um problema agora vão esperar para ter dois problemas para depois agir?
- Dois problemas, argumentou a servidora. Porque dois problemas?
- Neste momento vocês tem um paciente, o cachorro. Depois da mordida terão dois: Eu e o cão. Não é muito pior?
Esse argumento foi forte e consegui que o pessoal se dispusesse, assim que fosse possível, passar no endereço indicado e dar uma olhada no bichinho, um collie jovem, mas de considerável tamanho, que eu insistira, estava aparentemente doente.
Não tendo visto movimento de veículos do poder público municipal, e continuando as sessões de latidos para todos que se aventuravam a passar por aquele trecho da rua, meu pavor levou-me a pensamentos digamos, mais efetivos como o confronto, por exemplo. Eu teria que assumir o que não consegui em outras épocas. Enfrentar o problema com as próprias mãos. Lutar, com as armas disponíveis, mãos, pés, paus, pedras ou o que estivesse ao meu alcance. Não é o meu forte, confesso. Sou pacífico e sem habilidades manuais, o que comprovei ao longo de minha tenra existência de 54 anos com conflitos domésticos, tentativas de domar e adestrar cachorros e gatos(!). As andanças a cavalo, quando o animal sempre me convencia a tomar o rumo que ele queria me deram a noção que não era o meu forte comandar. Todos os cavalos, potros, éguas, equinos em geral, sem exceção, foram meus, digamos, instrutores ou treinadores.
Agora era ele ou eu, até as últimas conseqüências. Estava decidido. Comecei mentalmente programar o confronto. Se eu impusesse respeito, o cão me reconheceria e jamais me atacaria novamente. Era uma terça feira, lembro bem. Saída do serviço, 17:30. Peguei a moto na Praça dos Esportes e fui em direção à casa que moro, perto da Santa Casa. O trajeto serviu para pensar e resolvi ir antes na padaria pegar um pão e porque não, pensar mais um pouco. Desviei o percurso para não passar na frente do meu endereço, evitando assim, um confronto não planejado que poderia colocar por terra meu projeto, por descuido.
Ao descer da moto, na sarjeta, juntei pedras de regular tamanho, que cabiam entre os dedos polegar e indicador. Quatro ao todo, encheram meus bolsos da jaqueta. Se houvesse violência, viria o revide por parte de mim. Mas o peso daquele arsenal me fez para por instantes e pensar: Eu sou racional, com 80 quilos de peso e vou enfrentar um animalzinho de 15 quilos, e ainda com pedras?
Não! Tenho que achar uma saída inteligente. Não sou igual a ele, se formos medir agilidade, ele certamente levará vantagem. Tenho que exercitar meu lado humano. O que poderia estar fazendo com que o animalzinho latisse desesperadamente ao ver uma moto se aproximando? O que teria causado os machucados do bichinho, não poderia ter sido atropelado por um veículo e , em reação instintiva latia a todos os que passavam fazendo um barulho semelhante? E se eu me aproximasse com o motor desligado, o que aconteceria?
Ao chegar na minha quadra, escolhi a parte alta da rua, que tem um declive até minha casa e assim fui de lá de cima até minha casa, de motor desligado, silenciosamente. O Collie, em vez de latir, ficou apenas me observando. Estava dando certo! Ele correu pra mim assim que parei e ficou apenas me observando. E eu, ainda desconfiado, rezando para que o ataque efetivamente não acontecesse. E assim foi. Feliz com minha vitória, cheguei à imediata conclusão que a inteligência venceu o instinto e que eu e o cão éramos vitoriosos, e poderíamos, por que não, ser amigos.
Entrei em casa deixando a porta aberta e ele ficou parado na rua me observando. Fui até a geladeira e escolhi presunto, queijo, um pouco de guisado de carne e aqueci um pouco. Dei num pote a ele, juntamente com uma vasilha com água. Que satisfação. O cão que me ameaçava comia o que eu lhe fornecia. Fiquei muito contente pela extensão dos resultados positivos que obtivera. Dia seguinte, ração comprada num pet shop e, a partir daí, todos os dias, ração ou comida que eu compartilhava com ele. Dias eu que eu não o encontrava quando vinha para casa sentia sua falta e, quando ele chegava perto da minha porta, começava a latir, como se tivesse me chamando. Eu abria a porta e ele pulava em mim e mordia suavemente minhas mãos em sinal de afeto. O rabo, abanando de satisfação. Um novo amigo. Descobri seu nome depois, Chama-se Scooby e foi adotado por uma vizinha. Sempre que me ouve conversando com a vizinhança, late se manifestando, como que dizendo:
-Estou aqui amigo!
Às vezes visito-o outras ele me visita quando estou na porta de casa. As pedras, as quatro pedras que não joguei, estão guardadas. E tem um significado muito especial para mim. Um dia em que venci minhas fraquezas com inteligência e sensibilidade. Pensei, enfrentei e consegui a vitória. Um resultado tipo Ganha-Ganha. O único resultado que se deve esperar de uma negociação.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

próximos assuntos

Contando ninguém acredita!
Pois é a mais pura verdade. Minha vida tem sido sacudida por fatos inéditos, mas tão novos que acredito que poucas pessoas no mundo tenham passado por experiências como essas. Mudança de estado civil, de cidade, de emprego, de rotinas são alguns dos fatores que sacodem minha existência. O cotidiano está recheado de novidades que eu passo a dividir com você. A seguir vai a lista do que estou preparando...
Sozinho novamente
Caminhadas na beira da Lagoa
Juntando documentos
Viagens
Moradia
Compras
Aluguel
Desistindo do aluguel
Casa nova. Nova?

Emprego novo
Caronas
Carnaval
Camping

Fim de semana no Uruguai
Procurando casa em Bagé
Meu companheiro cupim
Bicho no ouvido
A indumentária do povo
O calor insuportável
O ônibus Pelotas – Rio Grande- descem todos os passageiros de pé
De Rio Grande a Bagé pela Planalto
O Concurso da FURG
Os restaurantes de Bagé
Os “fundamentos” de Bagé
Os panchos no vapor
Os colegas de trabalho
Os Bairros de Bagé
O campo
Meus anfitriões
A moto
No hospital em rio grande

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Primeira viagem no ônibus de linha

Ainda contando minhas inusitadas histórias:Um dia antes de prestar o concurso em Bagé,ainda em 2009, fui de ônibus. Tudo transcorria bem, aquele trajeto sendo cumprido lentamente numa agradável tarde de sábado de outubro, até que chegamos a uma cidadezinha próxima ao destino. Ao contrário das paradas anteriores, onde entrava e saía pouca gente , em Candiota entrou um número grande de pessoas, na maioria homens, de trajes de operário, falando alto. Pelo sotaque se notava serem de outro estado, nordeste ou sudeste talvez. Pelo assunto, dava para deduzir que trabalhavam em empreiteiras. Numa das poltronas, um médico, amigo de infância que eu não via há muito. Meu amigo tem um tamanho avantajado. Tanto, que não cabe num só assento do coletivo. Ele sentara numa poltrona do corredor, mas acabou ocupando mais da metade da outra. Até hoje os veículos ainda não dispõem de assentos especiais, causando um constrangimento a quem necessita se deslocar utilizando aquele tipo de transporte. A pessoa, queira ou não, acaba ocupando dois assentos. Pois foi aí que a coisa começou. Um cidadão, dos mais falantes, jovem adulto que embarcara nesta última parada, mesmo vendo que seria impossível caber ao lado do médico, pediu licença para sentar, ao que o passageiro sentado disse que não seria possível, pois não havia espaço para mais um naquele já limitado banco de ônibus. O mal educado começou a armar um barraco, com altos brados, falando para todos os demais passageiros que era um absurdo uma pessoa ocupar dois assentos. O sujeito, não contente com a confusão armada, expondo o outro passageiro a uma situação embaraçosa, foi chamar o fiscal e o cobrador do ônibus para resolver a situação. Exigindo que o cobrador vendesse uma segunda passagem do senhor cujo volume corporal extrapolava o assento. Assim foi feito, a segunda passagem foi vendida, com o consentimento do meu volumoso amigo, mas os demais passageiros se mostraram totalmente desacomodados, chateados com a situação. Ali pude constatar o choque de culturas e o que uma grande obra pode criar. São os efeitos colaterais, a exemplo que acontece em minha cidade natal e outras regiões do país onde se constróem mega projetos. Dizem alguns que é o ônus do progresso. Há que se administrado isso.
Chegando em Bagé, me ofereci para acompanhar o amigo até o hotel onde iria se hospedar, mas ele, agradecendo, dispensou, me tranquilizando pois estava esperando sua esposa para o levar de carro. Temi que os mal educados fossem também brigões e covardes. Mas vi que a arma deles era só a boca.
Mapa do Google em mãos, fui a pé até o hotel Cassino. Tudo tranquilo e em paz, finalmente...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Contando ninguém acredita

Devido ao fato de ter que me deslocar continuamente de Rio Grande a Bagé, duas cidades gaúchas vizinhas, mas de cultura completamente diferentes, tenho passado por situações, no mínimo, inusitadas.

Minha vida corria tranquilamente, professor de escola técnica estadual, de disciplinas que há um bom tempo lecionava, um currículo razoável para o mercado, mulher e filhas, tudo em paz...até que... separação!!!

De todas as providências que tomei, duas delas repercutiram bastante na minha rotina. Prestei concurso para servidor público federal em duas universidades. Passei primeiro em Bagé e, claro me desloquei imediatamente para a Rainha da Fronteira. A universidade em rio grande, se me chamar, eu vejo depois...

São pouco mais de 250 quilômetros em uma estrada muito bem pavimentada, com pouco movimento, algumas elevações e depressões que acompanham o relevo geográfico- as coxilhas de Bagé- que eu percorri na minha moto 125 cc, em contadas 4 horas. De ônibus se leva 4 horas e meia. Dá pra acreditar?

A cidade é linda, com aquela cultura típica do gaúcho, os prédios suntuosos, as pessoas, muitas com seu trajar característico campeiro- botas, bombachas, chapéu de aba larga... algo muito interessante de se ver, como se estivéssemos em um parque temático, só que é real!

A população de Bagé é a metade da minha cidade natal, que tem cerca de duzentos e poucos mil habitantes, mas a renda é bem maior, pelo que se nota na pompa de lojas e nos preços cobrados. Aqui tudo é mais caro!

A passagem de ônibus até Rio Grande custa mais ou menos 37 reais mas a viagem é uma verdadeira tortura. Nunca consegui um ônibus direto. Ele vai parando de cidade em cidade, onde descem uns, sobem outros. O passageiro que segue viagem deve avisar ao fiscal que continua no ônibus e ainda deve marcar o seu lugar com um objeto, para não ter uma surpresa de ver sentado no seu lugar um passageiro recém chegado.

Outro dia eu conto mais...